MANAUS, 1990arquivo da campanha5 de janeiro de 1975 às 01:00
Arquivo do Hotel Amazônia · Manaus · AM · escrito à mão por quem joga · o que está marcado como PROPOSTA ainda não é canon · esta página foi feita para 800x600
AMAZÔNIAprotocolo D-275506/1986 · arquivo amazonia
rua 10 de julho · centro · manaus · amem vigor

Amazônia

Facçãocanon

atualizado em 2026-08-31

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Amazônia

O Amazônia é a instituição privada que administra o mundo sob o Véu. A referência de tom é a Alta Cúpula de John Wick: de 1888, protocolar, hospitaleiro até o segundo em que deixa de ser, e neutro entre clientes, que é o único assunto em que ele é neutro.

Para que existe

Para registrar o Paranormal. Nome, comportamento, endereço, data, testemunha, prova: tudo vira ficha, e a ficha desce para o Subsolo, que é o arquivo do Hotel Amazônia e o nome que todo mundo usa para ele. A aposta do Hotel, escrita no primeiro livro da recepção, é que um dia esse arquivo fique grande o bastante para ser posto na mesa de um governo com exército, e que a defesa do país pare de depender de uma rede de vinte e sete hotéis que cobra em ouro.

O obstáculo é o próprio Véu. Ele alcança a hora de gravar e estraga o que sai: filme estourado, chiado por cima da voz, laudo que não fecha. Nenhuma peça do arquivo convence sozinha quem não sabe, e é por isso que o Hotel coleciona há cem anos em vez de publicar. Ver O Véu.

Enquanto o arquivo não serve para isso, o Hotel faz o trabalho de contenção:

  • Culto. Grupo que trabalha para acordar coisa grande, ou para rasgar o Véu antes da hora, é o inimigo declarado do Hotel.
  • Ataque que se repete. Um afogamento no igarapé não abre cartão. O terceiro afogamento no mesmo igarapé abre, porque a essa altura já é padrão, e padrão é ficha pela metade.
  • Recolhimento. Onde sobrou papel na rua, alguém vai buscar: a fita da guarita, o negativo do fotógrafo do jornal, a via do laudo, o boletim que o escrivão datilografou às três da manhã. Nada disso é queimado. Tudo desce para o Subsolo, e o que fica no cartório da cidade é a versão que o Hotel escreveu.

O que o Hotel não vende é resgate. Ninguém ali é pago para chegar a tempo, e a mesa vai descobrir isso na primeira vez em que quiser salvar alguém sem cartão que cubra. Ver Serviços.

O nome

O nome leva artigo masculino, pelo hotel: o Amazônia. "Vou ao Amazônia", "isso é assunto do Amazônia", "o Amazônia mandou chamar". A região é a Amazônia, no feminino; a instituição é o Amazônia, e a diferença cabe numa letra.

É a melhor camuflagem que existe, porque a frase inteira continua verdadeira do lado de fora. Quem diz que vai ao Amazônia está dizendo que vai a um hotel do Centro chamado Amazônia, e é exatamente isso que ele vai fazer. Nada precisa ser cifrado. O nome é o primeiro teste: se você ouviu o artigo, já atravessou alguma coisa.

A sede, o Hotel Amazônia, carrega o mesmo nome, e para o mundo de fora é a única Amazônia que existe naquele quarteirão.

O hotel foi batizado depois, em homenagem à instituição. Quem escolheu o nome foi o fundador, O Branco, em 1888. O que a palavra significa e por que ele a quis está em O nome.

O apelido

Chama-se Amazônia, e o único apelido em uso é "o Hotel", o prédio pelo todo. "Vou ao Hotel resolver isso." "O Hotel mandou chamar." "Isso o Hotel não vende."

Funciona pela mesma razão que o nome funciona: um credenciado dizendo que vai ao Hotel, no meio da Eduardo Ribeiro, está dizendo que vai a um hotel.

Nunca se escreve "a Organização" nem "a Casa", e nunca "a Amazônia", que é a floresta. Quando for preciso desambiguar entre o prédio e a instituição, use os dois nomes: o Hotel Amazônia para o edifício, o Amazônia para quem manda nele.

Gentílico (canon): quem trabalha lá dentro é do Hotel; quem só tem conta aberta e trabalha por serviço é credenciado. Não existe palavra para membro, porque não existe membro. Ver Pessoal do Hotel e Credenciamento.

Canon confirmado

  • É privado, não estatal, e foi fundado em 1888, um ano e sete meses antes da República.
  • O fundador é O Branco, que descobriu o que o Véu é. Ver História do Amazônia.
  • Cunha e usa moeda própria, as Iracemas.
  • Tem hierarquia formal e um corpo de regras especiais que valem acima da lei civil.
  • Existe uma sede por unidade da federação, e todas as vinte e seis foram abertas por Manaus, depois de Manaus. Ver Sedes.
  • Trabalha com credenciados: gente de fora, Lúcida, com alavanca própria. Hacker, assassino de aluguel, pesquisador de família rica, professor, empresário. Todas as PJs da campanha são credenciadas. Ver Credenciamento.
  • Distribui serviço pelo Quadro, no mezanino do Hotel.
  • Vende serviços e cobra em Iracemas, com tudo lançado no Livro Mestre.
  • Escreve tudo em jargão de hotelaria.

O que o Amazônia é em relação ao Véu

O Véu é uma entidade anterior ao Hotel e sem nenhum acerto com ele, e o serviço que ela presta é estragar a prova na hora exata em que a prova está sendo feita. O Hotel não tece esse serviço e não manda em quem o presta. Toda ficha do Subsolo é pior do que deveria ser por causa disso. O arquivo inteiro é a tentativa de vencer pelo volume o que não dá para vencer pela qualidade: cem anos de foto borrada empilhada até a pilha valer alguma coisa.

A doutrina oficial do Hotel é que o Véu toma partido, e que o partido é o outro. A frase é do fundador, está no primeiro livro da recepção e é o que todo credenciado ouve na primeira semana: o Véu foi encomendado por duas coisas enterradas embaixo do Brasil, a de fogo e a de água, para que ninguém consiga juntar gente em cima do que viu. Três observações do próprio arquivo sustentam isso, e é por causa delas que o Hotel se descreve como cartório e não como guarda. Ver O Véu.

O que o Hotel faz na prática é trabalhar contra o efeito. Junta o que o Véu deixou passar e vai buscar na rua o que ele não alcançou, por conta própria e com o pessoal dele, porque é o Subsolo que engorda com aquilo.

Não existe regra do Amazônia sobre o Véu, e nunca existiu. Ninguém é cobrado por ter aparecido demais, nem quando a criatura passa às seis da tarde no meio da Eduardo Ribeiro: quem desfaz a plateia é o próprio Véu, sozinho e de graça, e a recepção não lança fatura nenhuma contra quem perdeu o controle do cartão. O Hotel preferia que o Véu não existisse. Sem ele, o outro lado apareceria de uma vez, para todo mundo e na mesma semana, e povo que enxerga o que está comendo dele se junta e ganha; enquanto o Véu está de pé, o rio come um por um e ninguém abre inquérito. Ver As Regras.

Em aberto

  • Acima do Gerente. Existe conselho, dono, alguma outra coisa? Ver Hierarquia. Recomendação: deixar vago por muito tempo.
  • O fundador está vivo, e é presença conhecida do Hotel. Credenciado que frequenta o prédio cruza com ele mais cedo ou mais tarde. O que a recepção não responde é como ele chegou a 1990 com o mesmo rosto do retrato de 1890, uma das perguntas listadas em História do Amazônia. Ver O Branco.

Iracemas

Moeda de ouro puro, cinco gramas, o rosto da indígena Iracema de um lado e, do outro, a palavra AMAZÔNIA com uma jandaia pousada num galho e um código único. Diz-se a Iracema, no feminino, porque é moeda. Só se ganha resolvendo cartão ou trocando com gente de dentro, e toda transação feita no Hotel entra no Livro Mestre. Ver Iracemas.

O Hotel Amazônia

Rua Dez de Julho, Centro, a uma quadra do Teatro Amazonas. Casarão da borracha com um bloco mais novo encostado atrás, pátio interno com jardim e piscina de pedra, e um saguão em que o ventilador de teto trabalha o dia inteiro sem resolver nada. É hotel de verdade, com hóspede pagante, café da manhã até as dez e recepcionista que explica a turista onde fica o Mercado. Esses hóspedes nunca notam nada.

É também a única área totalmente segura de Manaus, por três motivos mundanos somados.

  1. Câmera em toda parte. Circuito fechado comprado direto da Zona Franca, cabo correndo por dentro da parede, monitores em preto e branco numa sala sem janela e videocassete industrial gravando fita que se troca a cada turno. Quase nenhum prédio de Manaus tem isso em 1990. O Hotel tem desde antes de a cidade saber o nome do equipamento, e a fita registra gente com nitidez e registra o outro lado do mesmo jeito borrado de sempre. Mesmo borrada, ela desce para o Subsolo.
  2. Luz que não apaga. Gerador próprio no fundo do pátio, abastecido toda semana. A cidade fica no escuro várias vezes por mês; o prédio não fica nunca, e essa é a linha de despesa que o Gerente jamais cortou.
  3. A manutenção. No papel são os homens de macacão cinza que trocam lâmpada. Fora do papel são os melhores caçadores do Norte, e o Hotel paga o que for para que estejam na folha dela e não na de outra pessoa. Ver Pessoal do Hotel.

O efeito das três é que o Hotel é o lugar mais iluminado, mais filmado e mais vigiado da cidade, o que faz dele o pior endereço do estado para uma criatura entrar. O que anda no escuro escolhe ramal vazio, flutuante isolado e três da manhã, e some quando aparece máquina fotográfica. Ali dentro não existe nenhuma dessas condições. Ver Regras do sobrenatural.

A segurança cobre o outro lado e não cobre gente. A primeira regra segura o sangue de porta adentro; ela não impede que alguém combine na sua frente, tomando café, o que vai fazer com você na esquina. Ver As Regras.

A ficha do prédio andar por andar ainda não existe. Ver lore/locais/hotel-amazonia.md (a escrever).

Relação com as jogadoras

Todas as PJs são credenciadas, prestadoras de serviço com acesso, e nenhuma delas está na folha do Hotel. Chegaram à campanha já Lúcidas e já contratadas.

É isso que permite a estrutura de mesa em West Marches: um ponto fixo de encontro (o Hotel), um motivo comum para aceitar serviço (a conta em Iracemas) e um jeito de qualquer subgrupo de 2 a 5 jogadoras sair junto em qualquer semana (o Quadro).

Ver Credenciamento, O Quadro e mesa/estrutura-de-jogo.md.


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