MANAUS, 1990arquivo da campanha5 de janeiro de 1975 às 01:00
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AMAZÔNIAprotocolo E-330972/1988 · arquivo quadro-de-missoes
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O Quadro

Conceitorascunho

atualizado em 2026-08-24

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O Quadro

O Quadro é como o Amazônia distribui serviço aos credenciados, e é o motor da campanha: é dali que sai toda sessão.

Onde fica

No mezanino do Hotel Amazônia, subindo a escada à direita do saguão, entre a porta da sala de correspondência e um vaso de samambaia que alguém rega todo dia.

É um quadro de recados de hotel de verdade: feltro verde escuro, moldura de madeira, fitas cruzadas prendendo cartões. Para o hóspede leigo é o mural de sempre, com passeio de barco para o Encontro das Águas, aviso de dedetização, cardápio do almoço, missa de sétimo dia e um cartão de despachante. Ninguém nunca achou aquilo interessante, e o Véu não precisa fazer força nenhuma para ajudar.

Para um credenciado, metade dos cartões diz outra coisa.

O cartão

Cartolina creme, timbre do hotel, escrito à máquina na mesma Olivetti desde sempre, com o "e" sujo. Sempre nesta ordem:

                    HOTEL AMAZÔNIA
              Manaus · Amazonas · Brasil

  PROTOCOLO 90-1187                      LOTAÇÃO 2–5
  ------------------------------------------------------
  Solicita-se atenção à correspondência não respondida
  da residência da Rua Ramos Ferreira, 214.
  Tratar com a recepção. Preferência por profissional
  com trânsito em repartição pública.
  ------------------------------------------------------
  PRAZO  11 dias                    HONORÁRIO  40 ir
  RISCO  amarelo                    CLASSE     indefinida

Como se lê:

  • Protocolo: ano e número. É por ele que se pede o cartão na recepção e é por ele que o relatório é arquivado.
  • Lotação: quantas pessoas o Hotel autoriza. Nunca menos de duas, porque credenciado sozinho morre e não entrega relatório, e relatório é o produto.
  • O texto: sempre em linguagem de hotelaria, com a tabela completa em Jargão de hotelaria. "Correspondência não respondida" é gente que sumiu, "hóspede indesejado" é criatura instalada, "vazamento" é rasgo no Véu, "bagagem extraviada" é objeto perdido que precisa voltar. Um credenciado novo passa os primeiros meses aprendendo a traduzir e sendo achado engraçado por isso.
  • Prazo: depois dele o cartão sai do Quadro, com ou sem solução. Prazo vencido vira problema mais caro, e o cartão volta semanas depois com honorário maior e risco pior.
  • Honorário: em Iracemas (ir). Não se negocia no Quadro. Negocia-se na recepção, e só uma vez.
  • Risco: verde, amarelo, vermelho, preto. Ver abaixo.
  • Classe: que criatura é. Quase sempre está escrito indefinida, porque essa é a pergunta que o Amazônia está pagando para alguém responder. Ver taxonomia.md (a escrever).

As cores do risco

  • Verde. Sem sobrenatural confirmado. Cobrança, entrega, escolta, vigília, conversa. Perigo humano, que é bastante perigo.
  • Amarelo. Indício de coisa do outro lado, natureza desconhecida. É o feijão com arroz da campanha e onde o thriller criminal vive: tem crime, tem cena, tem gente mentindo, e em algum ponto o laudo deixa de fechar.
  • Vermelho. Entidade confirmada e identificada. O cartão vem com o nome escrito, e o nome muda o gênero da sessão inteira. Ver Tom e gêneros.
  • Preto. O Hotel não recomenda. Paga muito bem, exige assinatura, e o pessoal da recepção para de sorrir enquanto entrega o cartão. PROPOSTA: cartão preto exige lotação mínima de quatro e pelo menos um credenciado com um trabalho vermelho concluído.

As regras do Quadro

  1. Quem tira o cartão do Quadro assume o cartão. Tirar é assinar.
  2. Lotação é lotação. Menos que o mínimo, o Hotel não paga. Mais que o máximo, não paga o excedente, e o Amazônia não gosta de multidão.
  3. Um cartão por vez, por pessoa. Ninguém acumula serviço em aberto.
  4. Devolver custa. Devolver o cartão antes do prazo é direito de todo credenciado, e sai por uma fração do honorário, anotada na conta. Não é vergonha, é preço.
  5. Sem relatório não há pagamento. Entregue ao arquivista, escrito, assinado, no dia seguinte no máximo. Mentir no relatório é falta grave; omitir é falta menor, e todo mundo comete.
  6. O que você achou no caminho é seu. O que você achou e não declarou vira dívida quando descobrirem. E descobrem.
  7. O Quadro não é fila. Não existe antiguidade, não existe preferência, não existe "estava reservado para mim". Existe quem chegou e tirou.

O que fica fora do Quadro

  • Chamada direta. Alguém do Hotel liga, ou deixa recado na sua caixa. Paga mais, permite menos perguntas, e recusar fica anotado.
  • Trabalho particular. Um credenciado contratando outro por fora é permitido, é comum e não tem garantia nenhuma do Hotel. Se der briga, a arbitragem custa.
  • Serviço para cliente. O Amazônia vende a leigo rico e a gente que sabe; parte desses pedidos vira cartão, parte nunca chega ao mezanino.

O Quadro como estrutura de mesa

O Quadro é a tradução ficcional do West Marches: o grupo que joga em cada semana é o grupo que tirou o cartão naquela semana, entre 2 e 5 jogadoras, sempre saindo do Hotel e sempre voltando ao Hotel. As regras de agendamento, ausência e continuidade estão em mesa/estrutura-de-jogo.md.

Cartão devolvido volta ao Quadro. Se uma equipe desistiu do 90-1187 em março, outra equipe pode tirar o mesmo 90-1187 em maio, pior, mais caro, e com um sumido a mais na Rua Ramos Ferreira.


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