Premissa
Conceitorascunho
atualizado em 2026-08-31
#mundo #veu #manaus #anos-90
Premissa
Manaus, 1990. Trinta e seis graus às nove da manhã. O Teatro Amazonas recém-restaurado brilhando no meio da cidade como uma joia que ninguém sabe explicar direito, o porto engolindo e cuspindo gente, a Zona Franca montando televisor para o resto do país, o cruzeiro derretendo na mão de todo mundo. Um milhão de pessoas encaixadas entre dois rios e uma floresta que não acaba nunca.
E o rio, embaixo, cheio de coisa que a gente aprendeu a chamar de lenda.
O sobrenatural existe e está escondido
Curupira existe. O boto existe, às vezes vira homem, e às vezes a criança nasce. A Matinta assobia de madrugada e no dia seguinte alguém aparece na porta pedindo tabaco. Neste mundo nada disso é metáfora.
O que segura tudo é o Véu: uma ocultação que faz o extraordinário escorregar da memória das pessoas comuns. A pessoa vê. O que ela não consegue é segurar o que viu. Vira sonho, vira bebedeira, vira "coisa da minha avó", vira piada de mesa de bar. A cidade inteira toca a vida por cima de uma verdade que não consegue olhar de frente.
O Véu é uma entidade, encomendada pelo que ela esconde, com um serviço só: impedir que gente se junte em cima do que viu. Confundir isso com acaso do mundo, ou com falha da própria cabeça, é o próprio Véu fazendo o trabalho dele. A palavra é do Amazônia; quase não circula fora dele. Ver O Véu.
O Véu cede ao estudo
O que abre o Véu é curiosidade obstinada, não coragem, não sorte.
Quem lê demais, anota demais, compara demais, quem passa dois anos cruzando o depoimento de um ribeirinho com um artigo de 1913 e com a nota de rodapé de um livro comprado num sebo da Getúlio Vargas, começa a ver. Primeiro nas beiradas: uma sombra que fica depois que a pessoa saiu, um nome que ninguém mais lembra de ter ouvido. Depois inteiro.
E aí não tem volta. Enxergar através do Véu é irreversível, e é o que atrai as coisas para você. Antes você era invisível para elas porque não sabia o nome delas. Agora sabe.
Quem chegou lá é Lúcido, e é essa a palavra que se usa: palavra de ficha de hospital. Ver Enxergar através e O Véu.
Quem administra o mundo sob o Véu
O mundo sob o Véu é administrado por uma instituição privada, antiga, educada e sem misericórdia, que opera de dentro do Hotel Amazônia, na Rua Dez de Julho, no Centro, a uma quadra do Teatro.
Chama-se o Amazônia, com artigo masculino, pelo hotel. A floresta é a Amazônia; a instituição é o Amazônia. É o nome do prédio, é o nome de metade das lojas da Eduardo Ribeiro, e é por isso que dá para dizer em voz alta no meio da rua: "isso é assunto do Amazônia". Quem não sabe ouve alguém falando de hotel. Quem sabe endireita a coluna.
Entre funcionários e credenciados o apelido é "o Hotel". Nada de código, nada de sociedade secreta com nome bonito.
Ele cunha a própria moeda, as Iracemas, moedas de ouro puro com um código só delas, tem hierarquia, protocolo e um punhado de regras que valem mais que qualquer lei da República.
E tem um propósito, que é a única coisa nele que não se compra: registrar o Paranormal. Identificar o que anda no escuro, escrever ficha, juntar prova, e continuar juntando até o dia em que o arquivo sirva para pôr um governo com exército na frente do assunto. Cem anos depois esse dia não chegou, porque o Véu estraga toda prova na hora de gravar. Enquanto não chega, o Hotel derruba culto, interrompe o que já matou três vezes no mesmo igarapé, arbitra dívida e cobra pelo serviço. Ninguém ali é pago para salvar você. Se você aprendeu demais, cedo ou tarde vai precisar dele, e ele vai cobrar.
Ver Amazônia.
O verniz distópico
Nada de apocalipse: é o Brasil de 1990 com as engrenagens à mostra, a moeda trocada em março, a poupança do país bloqueada, garimpo, grilagem, uma ditadura que acabou faz cinco anos e cujos arquivos ninguém abriu. Ver Distopia e Manaus, 1990. Parte dessa podridão tem assinatura sobrenatural. A parte que não tem é pior.
O assunto da campanha
Pessoas que estudaram demais para voltar atrás, numa cidade que não pode saber, sob a supervisão de uma instituição que prefere que elas fiquem quietas.
As PJs são Lúcidas e credenciadas pelo Amazônia. Trabalham por cartão tirado do Quadro, no mezanino do Hotel: um caso, um prazo, um pagamento em Iracemas e um risco de cor conhecida.
- Sistema: SRD 5e adaptado para o mundo moderno (ver
sistema/). - Tom: thriller criminal com sobrenatural. A mesa pergunta o que é, não quem foi. A criatura identificada decide se a noite termina em aventura ou em horror. Ver Tom e gêneros.
- Formato: West Marches, de 2 a 5 jogadoras por sessão, sempre saindo e voltando ao Hotel. Ver
mesa/estrutura-de-jogo.md.