MANAUS, 1990arquivo da campanha5 de janeiro de 1975 às 01:00
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AMAZÔNIAprotocolo K-618604/1981 · arquivo hierarquia
rua 10 de julho · centro · manaus · amem vigor

Hierarquia

Conceitocanon

atualizado em 2026-08-31

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Hierarquia

A escada abaixo é canon, do primeiro degrau ao Gerente. O que segue em aberto está marcado como tal.

O princípio: o Amazônia se organiza como um hotel, e leva isso a sério até o fim. Não há patente militar, não há grau iniciático, não há mestre nem discípulo. Há função de casa. Quem serve o café serve o café de verdade, e é também quem decide se você sobe a escada.

Fora da hierarquia

Credenciado. Você. Não é degrau nenhum: é fornecedor com crachá. Um credenciado de vinte anos de casa continua sendo credenciado, e continua esperando de pé na recepção se o recepcionista estiver ocupado. Ver Credenciamento.

Cliente. Quem paga e vai embora. Tratado melhor que qualquer credenciado.

O pessoal do Hotel

Quem é cada um desses no dia a dia, com nomes de trabalho, está em Pessoal do Hotel. Aqui fica só a escada.

Do chão para cima. A linha entre um degrau e outro não é de poder: é de acesso ao livro.

  1. Serviço de andar. Camareira, copeiro, porteiro da noite. São os olhos. Ninguém entra, sai ou dorme no Hotel sem que essa gente saiba. Nunca subestime a camareira é o primeiro conselho que um credenciado velho dá a um novo.
  2. Manutenção. No papel, quem troca lâmpada, purga o ar-condicionado e desentope ralo, e eles fazem as três coisas, de macacão cinza. Fora do papel, é o corpo de caça do Amazônia: são os melhores caçadores do Norte, e a folha do Hotel paga o que for preciso para que eles estejam nela e não na de outra pessoa. Não discutem cartão, não sobem no Quadro e não contam nada quando voltam.
  3. Telefonia. A mesa de operação. Toda ligação do Hotel passa por ali, e ali se decide o que é urgente. Nos anos 90 são elas que aguentam o mundo: PABX, fax, recado escrito à mão e a única lista telefônica que interessa.
  4. Recepção. A cara pública. Recebe cliente, entrega cartão, registra hóspede, mantém a conta em Iracemas, cobra. Um recepcionista pode recusar serviço a qualquer credenciado sem dar explicação.
  5. Arquivo. O arquivista e seus auxiliares, no Subsolo, no calor de morrer com dois ventiladores. Recebe todo relatório, cataloga toda criatura, responde a consulta paga. Sabe mais que qualquer outra pessoa do prédio e tem menos autoridade que a recepção. Essa contradição é de propósito.
  6. Concierge. Resolve o impossível para hóspede e para cliente. É quem tem a agenda de contatos fora do Hotel e quem monta operação grande. Chamada direta, o serviço que não passa pelo Quadro, quase sempre vem daqui.
  7. Arbitradores. Julgam disputa, testemunham acordo, aplicam sanção. Andam sozinhos, viajam, e a assinatura de um deles vale o Acordo de Nova inteiro. São poucos e não moram no Hotel de propósito; arbitrador residente vira parte de uma facção.
  8. O Gerente. O topo local, um por sede. Não se apresenta, não assina, não conversa com credenciado a menos que algo tenha ido longe demais. Ser chamado à sala do Gerente acontece duas vezes na vida de um credenciado: quando o convidam a ficar, e quando não.

Em aberto: existe algo acima do Gerente? Um conselho, um dono, uma pessoa? Que Manaus mande na rede é sabido e não responde a pergunta, porque o Gerente de Manaus também é um Gerente. A Alta Cúpula tem sua Mesa Alta. Recomendo deixar vago e evasivo por muito tempo: o Amazônia ganha em ameaça o que perde em organograma.

Insígnia

Todo mundo do Hotel carrega uma chave de latão no bolso do colete, e a chave diz o cargo. A do serviço de andar abre andar, a do concierge abre o Hotel inteiro, a do arbitrador não abre porta nenhuma neste prédio. Ninguém explica isso a você. Você observa e aprende, ou não aprende.

Como se sobe

Não se pede promoção e não se compra promoção: você é convidado a ficar. Um credenciado que o Amazônia quer de dentro recebe uma oferta de emprego, e aceitar significa abrir mão de tudo que a credencial dava de liberdade. Muita gente boa recusa, e recusar não ofende.

Como se perde o posto

Erro não derruba. Mentira no livro derruba. É o único pecado que o Amazônia trata como irreparável em funcionário, e leva direto à sanção máxima. Ver As Regras.


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