Tocados pelo Paranormal
Conceitorascunho
atualizado em 2026-08-31
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Tocados pelo Paranormal
Poder sobrenatural em gente vem de uma coisa só: ter sido tocado pelo Paranormal. Quem foi é Tocado. Quem não foi não vira, por mais que estude, reze, pague ou queira.
Isso vale para o Toque, que é dom. Existe caminho diferente, que não depende de toque nenhum e não faz ninguém virar Tocado: ver Rituais Paranormais, o método que O Branco passou décadas escrevendo.
O sistema de regras disso está adiado. Este arquivo é a ficção, e é o que a mesa precisa para criar personagem.
Toque não é lucidez
São dois eixos separados, e confundir os dois é o erro mais comum de credenciado novo.
- Lúcido é quem enxerga através do Véu. Vem de estudo obstinado. Não dá poder nenhum.
- Tocado é quem tem acesso a habilidade sobrenatural. Vem do toque. Não dá conhecimento nenhum.
As quatro combinações existem e todas aparecem em Manaus:
| Não Tocado | Tocado | |
|---|---|---|
| Leigo | a cidade inteira | o mais perigoso dos quatro |
| Lúcido | a maioria dos credenciados | o perfil que o Hotel disputa |
Um Tocado leigo é gente que faz coisa impossível e não sabe o que é. Acha que é sorte, dom, promessa atendida, nervoso, doença. Muitos vão parar em hospital psiquiátrico, em terreiro ou na igreja, e alguns viram problema grande antes de alguém chegar. Boa parte dos cartões amarelos que terminam sem criatura nenhuma termina assim.
Como se é tocado
Três origens, e ninguém escolhe.
Nascimento sob ritual
A criança gerada, parida ou batizada dentro de alguma coisa que estava acontecendo. Nem sempre foi ritual feito para ela, e quase nunca foi feito com ela em mente: um trabalho na porta da casa, uma promessa paga na hora errada, um parto no meio de uma cerimônia que era sobre outra coisa, um nascimento em cima de um ponto onde o Véu já tinha cedido antes.
Costuma ser o toque mais forte, o mais estável e o que vem com a conta mais bem definida. Alguém pagou por aquilo, alguém sabe o preço, e um dia alguém vai cobrar.
Herança
Filho de Tocado nasce com chance de ser Tocado. Não é regra de sangue limpo e não é hereditário como cor de olho: pula geração, some, reaparece em sobrinho. Em Manaus a maior parte dos casos conhecidos é essa, e uma parte considerável tem a mesma origem contada em voz baixa: pai que apareceu uma vez, de branco, e nunca mais voltou. Ver lore/folclore/boto.md (a escrever).
Herdeiro de Tocado costuma herdar também o tabu e a dívida, sem manual de instruções.
Aleatoriedade
Sem ritual, sem parente, sem motivo. Aconteceu. É o caso que mais irrita o arquivo, porque estraga toda tentativa de sistema, e é o mais comum entre gente que sobreviveu a alguma coisa que não deveria ter sobrevivido.
- PROPOSTA: não é aleatório de verdade, e o padrão está no arquivo, esperando alguém somar as fichas certas. Bom gancho de campanha para uma PJ pesquisadora, e não precisa de resposta tão cedo. A soma é geográfica, e quem quiser puxar o fio precisa de ficha de mais de uma região. Ver As Cinco.
Como o toque se comporta
- Não some. Toque não se perde, não se cura, não se transfere de gente para gente.
- Não é catálogo. Duas pessoas Tocadas raramente fazem a mesma coisa. O que uma faz é específico, tem cara, tem cheiro, tem hora, e costuma parecer com aquilo que a tocou.
- Cobra. Sempre. Cansaço, febre, dias de vida, memória, sono, sorte, gente por perto. O preço é a parte da ficha que a jogadora escreve junto com o poder, e não existe versão sem preço.
- Chama atenção. Usar toque em público é a maneira mais rápida de rasgar o Véu sem querer, e de aparecer para coisas que estavam de olho em outra pessoa. Não quebra regra do Hotel e não é cobrado de você; o que se gasta é a testemunha. Ver O Véu.
- Não faz de você patrão de nada. Toque não dá autoridade sobre criatura, não dá imunidade, não impressiona quem é do outro lado. Impressiona vizinho.
O que o Amazônia faz com isso
O Hotel registra. Todo credenciado Tocado tem, na ficha, um campo escrito à máquina que diz o que ele faz, o que aquilo cobra e quantas vezes já foi visto fazendo em público. O campo se chama anotação de toque e é atualizado a cada relatório.
- Credenciado Tocado vale mais e é vigiado mais.
- O Amazônia não ensina, não desenvolve, não treina o Toque. Não sabe como, e não gosta de admitir isso.
- Ritual é outra história. O Branco ensina Rituais Paranormais a quem quiser aprender, e dá preferência a Tocado: quem já é Tocado e também vira Erudito pode doar sangue no convênio do Hotel com o Hemoam e manter o próprio estoque de Essência sem comprar frasco nenhum. Ver Rituais Paranormais.
- Existe um cartão recorrente no Quadro, sempre em verde ou amarelo, para achar Tocado leigo antes que o Tocado leigo apareça no jornal. A recepção chama de "hóspede que não sabe que chegou", e é o tipo de cartão que O Branco acompanha pessoalmente sempre que consegue: quer ser ele a oferecer o primeiro café.
- PROPOSTA: o Amazônia paga por informação sobre nascimento de Tocado com uma generosidade que não combina com o resto do cardápio, e ninguém explica por quê.
Para a criação de personagem
Não é obrigatório ser Tocada. Um professor Lúcido com uma boa biblioteca e um telefone é personagem completo nesta campanha, e o thriller criminal funciona melhor com poucos poderes na mesa.
Se a jogadora quiser ser Tocada, três respostas antes de qualquer regra:
- De onde veio o toque: ritual, herança ou acaso.
- Com o que ele se parece. Uma coisa só, específica, com cara de Manaus e não de manual de RPG.
- O que ele cobra, e quem já pagou.
As regras entram depois, em sistema/.
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